sábado, abril 09, 2005

Arthur Franquini R.I.P.


Conheci o Arthur em 1997. Ponto de ônibus da rebouças, aquele do hospital das clínicas. Conversamos sobre Dead Boys. Ele usava aquele boné com o símbolo dos NY Yankies, o mesmo que continuou usando por pelo menos uns 3 anos mais. Azul. Montamos nossa bandinha. Foi o melhor baterista que eu já toquei junto e por que não, o melhor q eu já ví tocando. Ainda em 97 nossa banda acabou, e um pouco depois o seven day weekend (que era outra banda dele) com algumas alterações se tornava o forgotten boys. Bom, nosa banda acabou mas a amizade não. Era acima de tudo um garotão bem-humorado. Uma daquelas pessoas que te fazem sorrir, você querendo ou não. Uma daquas pessoas que depois que partem desse mundo arrancam lágrimas dos seus olhos quase toda hora por 4 dias seguidos e contando... Ainda lembro de irmos no Habib`s da Faria Lima com a Pedroso, ele pedir um milk shake de chocolate, dar uma catarrada, mexer com o canudinho e oferecer pra quem estivesse na mesa. Lembro de a gente cantar junto "um dia, um adeus" do Guilherme Arantes(!!!) antes dos ensaios. Lembro de uma madrugada, quando eu ainda morava na rua dos pinheiros, em que a campainha ficou tocando incessantemente mas eu nem fui abrir por que era muito tarde e no dia seguinte receber uma ligação dele: "Viu o Johnny Thunders?" - Sim, ele havia arrancado um anuncio do jornal da tarde onde se lia "JT" em letras garrafais e prendido na porta do meu prédio. Lembro dele vindo aqui em casa quando finalmente saiu o primeiro CD do forgotten pra me dar uma cópia de presente autografada: "Erick; Jesus te ama! Arthur". Lembro dele vindo aqui em casa jogar San Francisco Rush e nós nos divertirmos mais em ficar tentando causar batidas estondosas do que realmente ganhar a corrida. Lembro em 2000 quando eu estava com um monte de problemas dele me ligar toda hora e passar horas no telefone conversando comigo. Lembro dele telefonando pra mostrar a versão do lords of the new church de "hey tonight" e de nós dois sincronizando a versao original com o cover por teefone graças a sua extrema habilidade com a tecla pause. Lembro dele dedicando uma música pra mim e pra Júlia num show do forgotten na Cohab de Taipas, das coisas bonitas que ele falou aquele dia, pra logo depois contar de uma super-aventura de dormonid que ele tinha tido. Lembro de ir na casa dele assistir videos rarissimos do Stiv Bators e do Johnny Thunders. Lembro dele mostrando os segredos em sua gaveta. Dele contando sobre como ele se sentia em relação a Juliana. Lembro dele no casarão da paulista empolgado como uma criança com minha capacidade de vomitar voluntáriamente e pedindo pra eu repitir e me levando pra lá e pra cá pra mostrar pras pessoas. Lembro de encontrá-lo no Jive em novembro pela última vez. Parecia feliz. Lembro de não acreditar que ele realmente tinha morrido, mesmo no cemitério. Simplesmente não parecia ser verdade. Ainda queria telefonar pra ele e xingá-lo pelo susto que ele nos deu. LEmbro de a ficha só realmente cair horas depois, do vazio que tomou conta de mim e que desde então não consigo não chorar ao pensar nele. Era alguém que eu amava muito, mesmo tendo mantido certa distância nos últimos tempos. A sensação que fica é que ficou faltando algo. Ficou faltando mais um abraço, ficou faltando mais um telefonema, mais uma cerveja... Ficou faltando falar tanta coisa. Que talvez ele até soubesse, mas faltou. Faltou dizer-lhe o quanto ele era um amigo do caralho. Faltou dizer o quanto eu gostava dele, o quanto ele era uma das pessoas mais especiais e integras que eu conheci. O quanto eu admirava tanta coisa nele. Faltou dizer que ele faria tanta falta. Pedir pra ele não ir... Porra, faltou muita coisa de verdade. Agora está extremamente difícil, com o tempo as coisas ficam mais normais, mas o mundo será pra sempre um lugar bem mais triste sem ele. Espero que, onde quer que ele esteja ele saiba o quanto ele vai fazer falta, não só pra mim mas para uma quantidade absurda de gente que o amava tanto quanto eu. Espero que ele esteja num lugar melhor.
Um dia ele me ligou e me disse que tinha mandado fazer um mapa astral e que tinha dado que ele ia fazer algo de muito importante pela humanidade. Eu esperei ansiosamente pra presenciar esse dia, e volta e meia me lembrava disso e pensava quanto tempo faltava pra o Arthur fazer essa coisa tão importante. Quando ele se matou pensei: "Porra, essa coisa ficou faltando". Ora, não ficou faltando não. Eu não tinha percebido e certamente ele também não havia se dado conta, mas ele fez a coisa mais importante pela humanidade: Mesmo que por tão pouco tempo nos deu a oportunidade de ter por perto alguém tão extraordináriamente especial. Não sei o que mais a humanidade poderia pedir.
Descanse em paz, Arthur
The sun rises for you now!
Com amor, Erick
You Can't put your arms around a memory (by JT)

It doesn't pay to try,
All the smart boys know why,
It doesn't mean, I didn't try,
I just never know, why.
And when I'm home
Big deal, I'm still alone.

It's so restless, I am,
Beat my head against a pole
Try to knock some sense, down in my bones.
And even though it don't show,
Those guys are so old.
And when the go
They let you know

Can't put your arms around a memory,
Can't put your arms around a memory,
Can't put your arms around a memory.
Don't try
Don't try

You're just a basket case.
And you got no name.
Could you live with me?
Go on and say.
And even though it don't show
Those guys are so old.
And when the go
They let you know, ok

Can't put your arms around a memory,
Can't put your arms around a memory,
Can't put your arms around a memory.
Don't try
Don't try